Espaço Crisálida

História

 Em Setembro de 1998, conscientes da necessidade de ter um lugar tranquilo, longe do burburinho da cidade, onde o contato com a natureza nos possibilitasse repor as energias e nos refazermos do estresse, causado pelos muitos afazeres e, ao mesmo tempo, pudéssemos realizar nossos seminários de final de semana, com os clientes em terapia, decidimos sair à procura do lugar que atendesse a essas necessidades. Vai daqui vai dali, descobrimos o Núcleo Rural Lago Oeste, onde encontramos algumas possibilidades, mas nenhuma atendia às nossas expectativas. Então, à noite, como de costume, pedi orientação divina e, durante o sono, tive o seguinte sonho:

Caminhava por uma trilha e, de repente, cheguei num lugar, onde acontecera um incêndio, desses que são comuns em períodos de seca no cerrado e, debaixo de umas mangueiras, vi uma montanha de lixo e arame farpado – um lugar de abandono, destruição e desolação, carcomido pela erosão, causada pelos maus tratos à terra. Obviamente, uma visão nada agradável! Mas, quando levantei o olhar, o que vi me encantou! Ao longe, camadas de pequenas montanhas, nada comuns em Brasília, se intercalavam a perder de vista e, parecia que se movimentavam como ondas do mar, em tons de verde, do mais escuro ao mais claro, sob um lindo céu azul, com nuvens brancas. Diante de tão maravilhosa visão, exclamei: “Que Vista Linda!” e acordei. Então, tive a certeza de que esse era o lugar que estávamos procurando.

No dia seguinte, um domingo, voltamos a procurar no Lago Oeste e, quando já estávamos quase desistindo, alguém nos indicou um lugar que estava à venda e decidimos visitá-lo. Ao chegar, fiquei boquiaberta: O lugar era exatamente o mesmo do sonho e com todos os detalhes. Era de chorar de tristeza! Não fosse o sonho e a vista linda, jamais nos interessaríamos por um lugar assim tão feio, tão abandonado e tão destruído!

Situado na beira de uma encosta, formada por um pequeno vale, que descemos para conhecer os limites do terreno. Bem no fundo do vale, nos deparamos com uma pequena mata ciliar, onde corria um pequeno córrego, que o incêndio não tinha atingido. Sentamos em uma pedra e colocamos os pés dentro da água fria e cristalina.  Rodeados por lindas Borboletas Azuis Seda, que chamavam a nossa atenção voando de um lado para outro e cujas asas, em azul fosforescente, com reflexos malva e violeta, brilhavam ainda mais intensamente sob os raios de sol, que atravessavam as folhagens das árvores. Aproveitando a paz e a tranquilidade desse lugar, na encantadora presença das borboletas azuis, conversávamos sobre o nosso projeto para esse lugar e o quanto teríamos que trabalhar para construí-lo. De repente, uma enorme borboleta azul pousou e permaneceu por alguns eternos segundos na minha mão esquerda. E ela parecia me dizer alguma coisa! Com o coração aos saltos e pleno de gratidão, enquanto contemplava sua beleza e perfeição, uma frase atravessou a minha mente: “Aqui é meu lugar!”

Geralmente encontrada nas regiões centro e sudeste do Brasil, a Borboleta Azul Seda (gênero Morpho-Anaxíbia), cujas asas são verdadeiras obras primas da natureza, é considerada uma das mais belas do mundo. Para os Maias, elas eram sagradas, porque pensavam que elas vinham do céu e, por isso, se revestiam das cores da aurora e do crepúsculo. Símbolo da transformação e do renascimento para as culturas antigas, a metamorfose da borboleta sempre foi considerada um dos grandes mistérios da natureza: alma, celebração, leveza e transição. Na mitologia grega, a psique ou alma foi representada na forma de uma borboleta. Os egípcios colocavam borboletas douradas em seus túmulos, como símbolo da reumanização do espírito e da imortalidade.

De volta, quando caminhávamos por entre tocos de árvores queimadas, saltando troncos de carvão e buracos causados pela erosão, vi uma pequena planta do cerrado, de mais ou menos 5 centímetros de altura, coberta de pequeninas flores roxas, como uma fênix que brotara das cinzas. Nela havia uma pequena crisálida (pupa ou casulo da lagarta que vira borboleta). Lembrei-me da Borboleta Azul Seda e decidi que esse lugar se chamaria “Crisálida” – um estado transitório de maturação entre duas etapas – símbolo do lugar da metamorfose, da matriz das transformações. Tudo a ver com os propósitos divinos para a nossa vida e os objetivos do nosso trabalho profissional. Assim nasceu a “Crisálida”, no dia 26 de Setembro de 1998.

Apresentação

Ela está situada em quatro hectares de Área Privativa, mais seis hectares de Área de Preservação Ambiental com mata ciliar, no Núcleo Rural Lago Oeste, que se situa ao lado do Parque Nacional de Brasília/DF, a 30 minutos do centro da cidade.

De frente para a exuberante Chapada da Contagem, atualmente, a Crisálida é um recanto de singular beleza natural, ideal para aqueles que buscam o lazer e a sintonia com a natureza. Com ótima infraestrutura de hospedagem, sala de atividades e restaurante (Vista Linda – Gastronomia e Lazer), ela foi concebida para receber e abrigar grupos para treinamento de imersão, encontros e seminários de autoconhecimento e desenvolvimento da consciência pessoal e espiritual, conforme os princípios da Psicologia Transpessoal, que integra a dimensão espiritual da consciência à psique e fundamentados nos ensinamentos dos Mestres, que foram enviados a este planeta nos últimos sete mil anos, para ajudar na evolução da consciência espiritual da humanidade terrestre.

Além de uma bela vista e do ar puro da montanha, a Crisálida possui espaço que facilita o contato direto com a natureza, através de seus gazebos, pérgolas, jardins, mirantes e trilhas ecológicas, proporcionando aos seus visitantes momentos de conforto, saúde, bem-estar e contemplação. O que ela é hoje, 10 anos depois, representa a metamorfose e a transformação desse lugar sagrado, a mim revelado através do sonho e pela crisálida e a borboleta azul, naquele sombrio dia, pós-incêndio.

Aos olhos alheios, somos seus donos. Entretanto, sabemos que, no Universo e no planeta Terra, ninguém é dono de nada. Tudo pertence a todos e foi criado para o bem e o usufruto de todos. Por isso, possuir essas terras significa estar encarregado do seu bom funcionamento, cuidando e maximizando sua utilidade para o bem de todos.

Assim, somos apenas os seus guardiões, ou seja, protetores, cuidadores, gerenciadores.  Ser guardião é ser responsável em tudo e por tudo, exercitando a simplicidade, a espontaneidade, a humildade, a autoconfiança – tudo com amor, alegria, bom humor, autonomia e, principalmente, gratidão; pois, ser guardião é um privilégio cósmico concedido pelo Criador.

Como seus guardiões, temos que proteger essas terras, no sentido individual, familiar, coletivo e cósmico, para preservá-las como um bem de todos. Essa garantia vai passar de geração a geração e cada uma será responsável para dar continuidade ao que começamos. Aqui, sempre será um lugar, onde as pessoas virão em busca de paz, de harmonia, de equilíbrio, de alegria, de desenvolvimento e de crescimento no amor que eleva e abre as portas para o “bem viver”, em todos os sentidos da vida humana, guiados pela consciência do espírito. Tudo o que empreendermos nesse espaço, chamado Crisálida, será de coração para coração!

Brasília, 26 de Setembro de 2008.

Isis Dias Vieira


Fotos

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Instituto de Psicologia Transpessoal