O Reino da Felicidade

Um dos ensinamentos mais importantes, que a humanidade terrestre já recebeu de um mestre, é o que se refere à felicidade, que todos nós perseguimos ao longo de toda a vida. Ao ser perguntado sobre o Reino de Deus, Jesus, com sua maneira peculiar de transmitir os ensinamentos de Cristo, chamou uma criança, colocou-a diante dos discípulos, e disse: “para entrar no reino de Deus, é preciso ser feliz, como o é uma criança”. Os discípulos, boquiabertos, certamente olharam aquela criança, sem entender nada!

Para compreendermos o sentido deste ensinamento, precisamos observar atentamente como vive uma criança, como ela reage aos seus dissabores. Quando uma criança deseja algo e não consegue, ela chora durante alguns minutos, mas logo está brincando feliz, como se nada tivesse acontecido. Por que os adultos não conseguem ser felizes, exceto quando os seus desejos, as suas vontades, as suas necessidades são satisfeitos?

Um ser espiritual disse, através de um médium, que “o espírito é gerado por Deus e nasce simples, puro, e ignorante – ignorante, no sentido de não ter conhecimento da obra de Deus”. As características mais marcantes da infância, principalmente nos primeiros anos de vida, são a simplicidade e a pureza, que são características do espírito. Então, se um adulto quer ser feliz, ele tem que resgatar essas características espirituais que ele ainda tinha, principalmente na primeira infância. Embora o mundo mental de uma criança seja igual ao de um adulto, ela é um ser completamente simples e puro, até que o conhecimento da vida humana a obrigue a empurrar isso para o inconsciente. Isto porque, para se adaptar ao mundo humano, ela é obrigada a esquecer essas características, que são fundamentais para ser feliz na vida adulta. Entretanto, é graças a essa memória primordial, que está inconsciente, que os adultos sempre buscam a felicidade, através de seus relacionamentos e de tudo que fazem neste planeta. O problema é que a buscam no mundo exterior e ela está no mundo interior de cada um.

Quando uma criança faz algo, ela não pensa, não analisa, não interpreta, não julga. Ela faz alguma coisa, porque faz! Ela não pensa se seria bom ou ruim, se vai trazer algo para o futuro, se vai ajudá-la, se vai melhorar a sua vida. Ela simplesmente vive cada coisa, cada momento, sem ligar nada de hoje com o amanhã ou com o ontem. “A criança é o ser livre, é o ser que faz livre cada momento, dentro do momento, com o que tem no momento”, sem se preocupar se o amanhã será melhor ou pior, se isso está certo ou errado. Em sua pureza de coração, ela não odeia, não guarda rancor nem tem sentimentos de mágoa, como os adultos. Mesmo quando eles a castigam, alguns minutos depois ela brinca, alegre, sem ressentimentos, sem pensamentos negativos. Por não estar ligada ao passado nem ao futuro, sua mente não raciocina nem tira conclusões.

À medida que uma criança cresce, ela passa a acreditar no que os adultos lhe dizem sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre ela mesma, porque é preciso que ela se torne um ser humano como você. Como a característica primária do pensamento adulto é o egoísmo, nossos pensamentos criam tribulações e geram sofrimentos. Por isso, à medida que crescemos, perdemos a simplicidade e a pureza, e passamos a criar nossos próprios sofrimentos.

O ensinamento de Cristo nos diz que um ser espiritualmente evoluído é igual a todo mundo, faz as mesmas coisas como todo mundo, e está sempre feliz! Portanto, não é a vida humana nem o outro, em suas imperfeições, que nos torna infelizes; mas a maneira como vivemos nossos relacionamentos, como vivemos nossa vida. Então, o que nos falta para sermos felizes? Como adultos, temos que resgatar a simplicidade e a pureza que tinhamos na infância; temos que resgatar o reino da felicidade, como ele o é no coração de uma criança. Então, precisamos reaprender a lidar com a vida da mesma maneira que uma criança lida.

Cada ser humano adulto é como uma lâmpada, que tem um poder de brilho, por exemplo, de 100 watts; mas, como a nossa lâmpada (o espírito) está coberta de pó (impurezas), isso reduz o seu brilho. Por isso, para sermos felizes, estando na condição humana, temos que nos purificar, nos limpar das nossas impurezas, que absorvemos desde a infância, com tudo o que é inerente a essa condição: o egoísmo, o racional, as verdades relativas, os apegos materiais e afetivos, as certezas, os conceitos, os valores, os desejos, os julgamentos. Só assim, conseguiremos resgatar o reino da felicidade que está em nós e, conservando a consciência de adultos, seremos felizes nesta vida!

Dra. Isis Dias Vieira

Psicoterapeuta Transpessoal e Escritora

(Artigo publicado na Revista Cultive Lettérature Art Solidarité, Suisse, maio/2019)

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