O Trabalho como Ato Criador

O trabalho como castigo divino, por causa do nosso “pecado original”, está impresso no inconsciente coletivo. Entretanto, Jesus deixou bem claro que não é bem assim, ao dizer: “Meu Pai trabalha até agora e eu também!” Com certeza, ele não estava se referindo a José, seu pai humano. O Criador deu essa função ao ser humano, como uma maneira de ação no mundo físico. O fazer do ser humano no mundo deve perpetuar a memória da dinâmica da criação. Entretanto, como tudo na vida de aprendizagem neste planeta, a experiência da dualidade implica a vivência das polaridades. Por isso, há duas maneiras de trabalhar, que correspondem a dois níveis de consciência do que é verdadeiramente o trabalho:

  1. Do ponto de vista da personalidade – Muitos ainda estão nesse nível de consciência, por estarem desconectados de sua alma ou eu superior. Trabalham para si, pela sobrevivência, por necessidade e para comprar segurança (aposentadoria, saúde, férias e outros benefícios). Por isso, muitas vezes, resistem ao trabalho e tentam fazê-lo em menos tempo possível, justo o número de horas pelas quais são pagos e nada mais. Essa atitude bloqueia o processo de criação e tudo vai mal: cansam-se rapidamente, não conseguem produzir o que querem ou desejam, não suportam as pessoas (colegas de trabalho), as circunstâncias não lhes são favoráveis, reclamam do mundo e da vida, consideram tudo muito difícil e afundam num profundo estresse que, geralmente leva à depressão. Isto, sem falar naqueles que transformam o trabalho numa competição onde, muitas vezes, vale tudo.
  1. Do ponto de vista do eu superior – toda ação, todo trabalho é uma oportunidade de criar, de servir, de se alegrar e de se manifestar, qualquer que seja a forma, qualquer que seja o tipo de trabalho. O eu superior ama o trabalho porque ele ama criar – é seu objetivo principal. A partir do momento em que mudamos nossa consciência e estamos plenamente presentes no mundo, o trabalho se torna, naturalmente, apaixonante e muito interessante. Neste caso, fazer o que gosta e gostar do que faz, tem todo sentido.

Pode-se dizer que as condições econômicas são difíceis e alguns são obrigados a ter um trabalho pouco interessante para “ganhar a vida”. Essa atitude, ancorada na consciência coletiva, vem do modo de funcionamento do ego. É uma maneira de “perder a vida, ganhando-a”. Dessa forma, mantém-se um círculo vicioso, pois as condições econômicas difíceis são o resultado do nível da consciência coletiva. Quando a maioria dos seres humanos viver num estado de consciência superior, as condições econômicas serão automaticamente muito mais favoráveis, pois não é o “acaso” que cria a “economia”, mas os seres humanos.

Desde que o eu superior se manifesta, a vontade de servir, de contribuir, de fazer alguma coisa neste mundo, emerge naturalmente. O serviço é a característica dominante do eu superior, como o desejo é a característica dominante da natureza do ego. O serviço leva em conta o bem de um grupo, de muitos, de todos; o desejo é em benefício da personalidade. Sob a direção do eu superior, o desejo de satisfação do ego, sob todas as suas formas, se transforma em desejo natural de servir, de atender ao bem de todos, através do trabalho.

Reconhece-se o grau de evolução espiritual de uma pessoa, não pelas suas palavras ou seus poderes, mas pela qualidade do trabalho que presta ao mundo, mesmo que seja em um círculo restrito. Através do eu superior, trabalhamos pelo prazer de realizar algo em benefício dos outros. Se o que fazemos é reconhecido ou não, não tem a menor importância. O fato de trabalhar traz em si a alegria e a recompensa. Trabalhar nesse estado de consciência é revigorante e inspirador; e nos torna profundamente satisfeitos internamente, qualquer que seja o resultado obtido externamente. Manter todas as nossas atividades nesse estado de consciência, é viver num estado de amor e de alegria; enfim, num estado de graça. O amor, conhecido como incondicional, não é nem sentimento, nem emoção. É a força superior que guia os mundos e que conduz à integração, à unidade e à inclusão; é a força que impulsiona a divindade que nos habita à ação.

Quando experimentamos a vivência sublime da unidade cósmica e integramos esse nível de consciência, ou seja, quando desenvolvemos o amor incondicional e o integramos em nossa personalidade, naturalmente aceitamos esse compromisso: o do trabalho, também como ato criador, no aqui e agora, do “como no céu, assim também na terra”, onde o Nome do Pai é Santificado, o Reino do Pai vem, e a Vontade do Pai é feita, exatamente como é no céu, como é em todos os Universos.

 Texto extraído do livro “A Oração do Pai-Nosso – o Mantra da nossa Libertação”, de Isis Dias Vieira, 2013, pp. 151 a 153

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