O Espírito do Natal

Uma frase da Oração do Pai-Nosso, na versão do aramaico para o português, que mais me chama a atenção, aparece na segunda linha do segundo verso: “... e deixa-nos serenos, como nós favorecemos a serenidade dos outros.”

Natal é sempre lembrado e comemorado, como um momento de festa, de confraternização, de troca de presentes, encontro com amigos, mas principalmente, de encontro de família e mesa farta.

Durante os festejos de Natal e Ano Novo, comemos, bebemos e nos alegramos. Mas, a partir do dia seguinte, voltamos a nos comportar como antes, sem nenhuma consciência do que significa o nascimento de Cristo neste planeta, que nem foi no dia 25 de dezembro, sua missão e seus ensinamentos.

E portanto, a síntese de todos os ensinamentos de Jesus está na Oração do Pai-Nosso, que contém apenas dois momentos em que suplicamos ao Pai algo para nós; um deles está no verso citado acima. Detendo-me só nesse primeiro momento, completamos nossa súplica, com uma promessa ao Pai: ”... como nós favorecemos a serenidade dos outros”, ou seja, prometemos favorecer a serenidade dos outros. E ainda vamos mais além: pedimos serenidade para nós, na mesma medida que favorecemos a serenidade dos outros. Parece uma armadilha, não é? Mas, Jesus sabia o que estava ensinando!

Pela lei de causa e efeito, sempre recebemos de volta o que fazemos aos outros. Então, a serenidade não é uma dádiva; é uma conquista da nossa consciência. Por isso, ao pedir serenidade ao Pai, eu me comprometo a favorecer a serenidade dos outros. Assim, se eu quero ter serenidade, tenho que favorecer a serenidade dos outros. E isto não é o que fazemos nos nossos relacionamentos, no dia-a-dia. Tem gente que, às vezes, faz ou fala exatamente o que o outro não gosta, só para irritar. Essas pessoas, de uma maneira geral, se comportam como verdadeiras “bruxas da vassoura”, sempre à espreita, para ver o “circo pegar fogo”!

Quando alguém lhe faz uma ameaça, diz que você falou ou fez algo, que não falou nem fez, lhe manda emails ou mensagens com críticas, ameaças, julgamentos, alfinetadas, fofocas, piadas de mau gosto, lhe falta com o devido respeito, lhe trata com grosserias, manipula, controla, chantageia... Como você se sente? Dá para ficar sereno nessas situações? Agora, olhe para si mesmo e procure lembrar se tem alguns desses hábitos, que não favorecem em nada a serenidade dos outros e, decida-se: Quer ter serenidade? Então, favoreça a serenidade dos outros! Não há nenhuma mágica nisto, é responsabilidade mesmo!

Então, transcendendo a ideia de que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro e o chamado ao consumismo que caracteriza as datas festivas, neste Natal encontremo-nos, participemos de confraternizações, troquemos presentes, alegremo-nos! Mas, acima de tudo, favoreçamos a serenidade dos outros; pois, em períodos de grandes perturbações sociais, ter serenidade é fundamental, para não nos perdermos no pessimismo e no desespero!

(Leia mais sobre isto, no livro “A Oração do Pai-Nosso
– O mantra da nossa libertação”, págs. 145 a 160)

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