O Poder de Cura da Nossa Mente

Mente e corpo não são distintos nem independentes um do outro; são uma só e mesma entidade, percebida de duas maneiras diferentes.

O filósofo francês, René Descartes, se enganou ao dissociar mente e corpo. E muitos profissionais, da nossa medicina ocidental, seguem seus conceitos, ao atribuir os estados mentais dos pacientes à sua condição física. Com isto, além de dissociar mente e corpo, os inverteu, atribuindo mais poder ao corpo. Como nossa mente está acostumada a funcionar no automático, ou seja, no seu modo inferior ou racional, o maior problema da humanidade, neste século, é a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Tudo é pensado, raciocinado, interpretado, analisado, julgado e concluído, conforme estímulos exteriores. Os portadores dessa síndrome, além de sofrerem de insônia, revelam grande dificuldade em estabelecer contato com seu mundo interior, com a dimensão espiritual de sua consciência, que só é alcançada através do modo de funcionamento superior da nossa mente. (Leia mais sobre esses dois modos de funcionamento da nossa mente, no livro “A Oração do Pai-nosso – O Mantra da nossa libertação”, Ed. Biblioteca24horas, cap. I)

Estudos de casos, sobre essa integração entre a mente e a saúde física, comprovam que pessoas que sofrem emocionalmente de maneira crônica, por serem ansiosas, deprimidas, inseguras, pessimistas, irritáveis, correm mais risco de terem um problema maior de saúde. Por causa do modo inferior ou racional de funcionamento de suas mentes, elas se convencem de que não estão bem, atribuindo seu mal estar a causas exteriores. Importantes pesquisas mostram que, enquanto o tabagismo aumenta o risco de doença grave em 60%, o sofrimento emocional crônico o aumenta em 100%. Os resultados desses estudos comprovam a poderosa ligação que existe entre a mente e o corpo.

Quando estamos cronicamente estressados, com os hormônios do estresse permanentemente em alta, a capacidade do sistema imunológico combater as doenças diminui, justo no momento em que o coração tem que aumentar a pressão sanguínea, trabalhar de maneira mais intensa e preparar o corpo para a urgência. O resultado final é que a pessoa se torna muito mais vulnerável às doenças.

A medicina tibetana tradicional, uma ciência antiga, que jamais perdeu de vista a estreita ligação entre mente e corpo, nos ensina que quando nossa mente está em paz, o corpo se mantém em boa saúde. Portanto, em todo e qualquer processo de cura, o mais importante é acalmar a mente, conduzindo o foco do pensamento para o processo de cura, enquanto o indivíduo se submete ao tratamento médico. Mas, infelizmente, é exatamente aí que o modo de funcionamento inferior da nossa mente fica mais exacerbado.

Nesse momento da história da humanidade, em que o ser humano não consegue mais controlar seu racional, o essencial para o ser humano é desenvolver conscientemente o  modo de funcionamento superior da sua mente. O modo racional, que impulsionou a ciência e a tecnologia, que ajudou o ser humano a conhecer e a dominar o mundo exterior e a natureza, já cumpriu a sua função. Quando nossa mente, em sua verdadeira natureza, não sofre as pressões das circunstâncias exteriores e das nossas emoções, ela se torna mais calma, mais aberta e mais ampla; e nós, mais inteligentes e mais sábios.

O ego é o resultado de uma percepção errônea de que há uma entidade física e permanente em nós, bem como nos outros. Esse eu é um conceito fabricado pela mente racional, mas necessário, junto com o corpo físico, à formação da nossa identidade humana. A nossa mente, em sua verdadeira natureza, que é o seu modo de funcionamento superior, não participa desse conceito; mas o integra, para funcionar em sua totalidade. O apego ao ego é a fonte de todos os nossos problemas mentais e emocionais, a principal causa do nosso sofrimento físico, mental e emocional.

Nesses tempos sombrios, de negativismo, insegurança, medo e raiva, em que os seres humanos não respeitam mais nenhum limite para a sua desonestidade, e a natureza está devolvendo o que ele fez com ela, devemos manter nossa mente em paz, protegendo-a das dificuldades da vida e evitando, ao máximo, deixá-la no modo automático. Portanto, libertar-se do apego ao ego (ao nosso e ao dos outros), é fundamental; pois, isto permite que o poder de cura da mente, em sua verdadeira natureza, flua e se manifeste em todos os níveis físico, mental, emocional e espiritual.

Os problemas físicos são os mais difíceis de curar, porque estamos acostumados a pensar nosso corpo de maneira racional. Por isso, é muito importante aprender a usar recursos eficazes, tais como técnicas de autoconhecimento e de expansão de consciência como, por exemplo, respiratórias e de relaxamento, que nos ajudam a alcançar a paz, a serenidade e a força da energia, da qual somos feitos – a energia do nosso Eu Superior que, segundo a Teoria do Desdobramento, é nossa maior fonte de saúde e bem-estar. (Leia mais sobre isto no livro “A Oração do Pai-Nosso – O mantra da nossa libertação”, página 47, Ed. Biblioteca24horas)

A paz e a alegria, alcançadas através do poder de cura da nossa mente, nos ajudarão a aceitar com mais facilidade os problemas, como inerentes à nossa condição humana. Reconhecer um problema e aceitá-lo não quer dizer viver em função dele, ou seja, manter o foco da consciência nele, analisando-o, explicando-o e interpretando suas possíveis causas. Significa simplesmente mudar o foco para a cura, ou para as possíveis soluções, sem se apegar à doença ou ao problema. Muitas vezes, até mesmo a nossa linguagem denuncia o quanto estamos apegados; pois falamos da doença ou do problema como “a minha doença”, “o meu problema”, “sou doente” e, às vezes, sentimos até mesmo um certo prazer mórbido em falar da “nossa doença”, tal é nosso apego e nossa identificação. É como se o eu e a doença fossem uma só e mesma entidade.

Quando percebemos nossos progressos, quaisquer que sejam e por menores que sejam, o mais importante é se alegrar por tê-los alcançado; pois assim, eles ganham mais força. Devemos apreciar sempre as nossas pequenas conquistas e nos alegrar com o que somos capazes de fazer. Nunca ficarmos contrariados pelo que não pudemos realizar.  Assim, cada aspecto da nossa vida  – pensamentos, sentimentos,atividades ou experiências cotidianas – pode se tornar um meio de cura.

Quanto maior é nosso apego ao ego, mais nosso sofrimento físico, mental e espiritual cresce. Por causa dos nossos apegos, nossa ignorância, nossos desejos e ódios, vagamos sem rumo e sem objetivo neste mundo, inconscientes do poder interior que pode nos libertar do sofrimento.

Nós ocidentais aceitamos facilmente os diagnósticos médicos, sem questionamento, sem reflexão. Além do diagnóstico médico, devemos fazer o nosso diagnostico da doença que invade nosso corpo, nos livrarmos das suas causas e tomar o remédio que nos trará de volta a saúde.


Fontes do Poder de Cura

Observação: Para que você tire o máximo de proveito dessa leitura, priorize o que se segue.

  1. Continue sua leitura, escolha sua fonte de poder e passe vários dias pensando nela, estabelecendo uma conexão com sua energia de cura. A fonte que você escolher pode ser mudada, em outro momento, em função de suas necessidades e de sua evolução espiritual.
  2. Enquanto convive com sua fonte de poder, faça uma lista de suas atitudes e de seus sentimentos, que lhe causam problemas.
  3. Faça o exercício que consta no final do texto, pelo menos uma vez e sintonize com a fonte de poder que você escolheu.

Podemos utilizar sempre a nossa imaginação para conectar uma fonte de poder, visualizando os diferentes elementos: a terra, a água, o fogo, o ar (o vento), o espaço infinito, ou a luz, como meios para alcançar as bênçãos da energia de cura para o nosso corpo, nossa mente e nossa alma (cura espiritual).

Dentre todas as forças elementares, devido à sua importância para a vida e o desenvolvimento das plantas, dos animais e do próprio ser humano, a luz do sol é celebrada, espiritualmente, em todas as tradições da humanidade, como o meio mais importante de cura, por ser considerada a essência da energia pura que se manifesta. Por isto, a luz está sempre presente em festas e rituais, através do “fogo sagrado” (fogueiras e tochas), do culto ao sol e, até mesmo nos tempos atuais, através de velas e lâmpadas decorativas, nas nossas desvirtuadas Festas de Natal e Ano Novo – resquícios de celebrações à natureza, praticadas pelos nossos ancestrais.

Em várias religiões, a luz é associada a divindades como, por exemplo, Buda – o Iluminado, e Jesus que, nos Evangelhos, se declara como  “o Cristo, a luz do mundo.”

A luz pode ser percebida em dois níveis de consciência: o relativo e o absoluto. Seu aspecto relativo é perceptível na natureza. Entretanto, muito além da luz relativa que nossos olhos físicos veem, há a Luz Absoluta da unidade de tudo, da natureza aberta ou transcendente. Por exemplo, os relatos de pessoas que tiveram uma experiência de morte eminente (EQM), durante a qual se fusionaram com uma “Luz Radiante”, tornando-se a própria Luz, sem ter nenhum sentimento de eu, distinto ou separado da paz e da alegria que emanam dessa extraordinária Luz. Ninguém consegue descrever a Luz Absoluta, porque ela transcende os limites do espaço, do tempo e dos nossos conceitos. Tudo o que existe é expressão da Luz Absoluta, inclusive NÓS.

Então, o que interessa mesmo é essa Luz da qual somos feitos – a Luz Absoluta, que é nossa fonte de cura, de alegria e de serenidade.

A Luz Absoluta não está somente em nós; ela está também em tudo ao nosso redor e em todos os universos manifestos. Em seu aspecto relativo, ela é visível de maneira sutil no ar que respiramos, no ar que nos envolve e em tudo ao nosso redor na vida cotidiana; mas ela é visível e percebida, também, em todas as formas físicas deste planeta e em todos os outros de todos os universos.

Todas as nossas ações e todos os nossos pensamentos podem e devem estar em comunhão com essa Luz Absoluta. Só assim, ela poderá se manifestar no mundo da forma, ou seja, de forma relativa e perfeita em nós, em nossa vida e no mundo ao nosso redor.

Portanto, a energia de cura está sempre presente em cada um de nós e isto não deve nos impedir de aceitar a ajuda da medicina humana e, principalmente, daqueles que nos amam e estão abertos para nos ajudar. Espera-se que os médicos, que nos assistem em um processo de cura, tenham uma atitude harmoniosa e a mente aberta. Pelo sim pelo não, a confiança neles, como a luz que eles representam, deve ser também relativa; ou seja, conscientes da presença dessa Luz Absoluta neles também, anonimamente devemos pedir ajuda superior, em forma de “mãos de luz”, para guiá-los em seus fazeres médicos, potencializando os efeitos da cura.

A seguir, algumas das mais importantes Fontes de Poder que podem nos ajudar a transformar o sofrimento em ensinamentos:

  1. Uma divindade
  2. Seres espirituais (anjos)
  3. Um ser de luz
  4. O sol, a lua, o arco-íris, a água, o espaço infinito, a luz, o som, o cheiro da natureza – toda forma de energia pura, ou seja, que não foi manipulada pelo ser humano, tem o poder de nos inspirar e de nos curar; ou seja,
  • A força da terra, para nos estabilizar e nos fortalecer;
  • A luz e o calor do sol, para nos dar ânimo, entusiasmo e dinamismo;
  • O poder refrescante e purificador da água, para acalmar as nossas emoções;
  • As chamas do fogo, para aquecer, transformar, purificar e iluminar nosso corpo e mente;
  • O ar que respiramos ou o vento que sopra, para limpar e purificar nossos pulmões e mente;
  • O espaço infinito, muito além do horizonte, para expandir nossa limitada consciência humana.

Por ser a representação de todas as dimensões de manifestação da luz pura, o arco-iris é o símbolo da nossa  máxima realização espiritual.

Em geral, as representações de seres espirituais, ou seja, seres que se manifestaram no nosso tempo e na forma física neste planeta, como o Buda, Jesus, Maria, Krishna, Gaia (a deusa mãe natureza) são fontes de poder mais eficazes para a nossa mente humana, porque expressam e encarnam a paz e a alegria últimas da verdade universal. Essas imagens, na verdade, são representações de nossa sabedoria interior, com a qual entramos em contato.

Entretanto, a melhor fonte de poder é aquela que faz você se sentir melhor; aquela que suscita em você um sentimento de bem-estar, de paz e de serenidade.

Quando cultivamos uma fonte de poder, nos desembaraçamos de atitudes e de sentimentos estreitos e rígidos que nos causam problemas. Quando isso acontece, nossa mente se torna positiva e aberta à cura.


Exercício:

Coloque uma música suave, de preferência com sons da natureza, feche os olhos, fixe o pensamento na música e se deixe guiar por ela.

  1. Depois de uns três minutos, faça respirações amplas e profundas da seguinte maneira: inspire suavemente e bem devagar, enchendo plenamente os pulmões de ar; expire lentamente, esvaziando os pulmões completamente e relaxe a cada expiração.
  2. Continue respirando ampla e profundamente durante alguns minutos.
  3. Em seguida, deixe sua respiração voltar ao seu ritmo natural, enquanto seu pensamento continua seguindo a música.
  4.  Visualize no céu uma bola de luz pura, brilhante e transparente. Imagine-a como a pura essência do “Universo de todos os universos” – a representação da energia da qual somos feitos, a energia que tem o poder de nos curar.
  5. Dessa bola de luz pura desce um raio que envolve você, da cabeça aos pés. Sinta o poder dessa luz em seu coração, em sua mente e em seu corpo.

Brasília, dezembro de 2014

Isis Dias Vieira

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