O Reino da Felicidade

Um dos ensinamentos mais importantes, que a humanidade terrestre já recebeu de um mestre, é o que se refere à felicidade, que todos nós perseguimos ao longo de toda a vida. Ao ser perguntado sobre o Reino de Deus, Jesus, com sua maneira peculiar de transmitir os ensinamentos de Cristo, chamou uma criança, colocou-a diante dos discípulos, e disse: “para entrar no reino de Deus, é preciso ser feliz, como o é uma criança”. Os discípulos, boquiabertos, certamente olharam aquela criança, sem entender nada!

Para compreendermos o sentido deste ensinamento, precisamos observar atentamente como vive uma criança, como ela reage aos seus dissabores. Quando uma criança deseja algo e não consegue, ela chora durante alguns minutos, mas logo está brincando feliz, como se nada tivesse acontecido. Por que os adultos não conseguem ser felizes, exceto quando os seus desejos, as suas vontades, as suas necessidades são satisfeitos?

Um ser espiritual disse, através de um médium, que “o espírito é gerado por Deus e nasce simples, puro, e ignorante – ignorante, no sentido de não ter conhecimento da obra de Deus”. As características mais marcantes da infância, principalmente nos primeiros anos de vida, são a simplicidade e a pureza, que são características do espírito. Então, se um adulto quer ser feliz, ele tem que resgatar essas características espirituais que ele ainda tinha, principalmente na primeira infância. Embora o mundo mental de uma criança seja igual ao de um adulto, ela é um ser completamente simples e puro, até que o conhecimento da vida humana a obrigue a empurrar isso para o inconsciente. Isto porque, para se adaptar ao mundo humano, ela é obrigada a esquecer essas características, que são fundamentais para ser feliz na vida adulta. Entretanto, é graças a essa memória primordial, que está inconsciente, que os adultos sempre buscam a felicidade, através de seus relacionamentos e de tudo que fazem neste planeta. O problema é que a buscam no mundo exterior e ela está no mundo interior de cada um.

Quando uma criança faz algo, ela não pensa, não analisa, não interpreta, não julga. Ela faz alguma coisa, porque faz! Ela não pensa se seria bom ou ruim, se vai trazer algo para o futuro, se vai ajudá-la, se vai melhorar a sua vida. Ela simplesmente vive cada coisa, cada momento, sem ligar nada de hoje com o amanhã ou com o ontem. “A criança é o ser livre, é o ser que faz livre cada momento, dentro do momento, com o que tem no momento”, sem se preocupar se o amanhã será melhor ou pior, se isso está certo ou errado. Em sua pureza de coração, ela não odeia, não guarda rancor nem tem sentimentos de mágoa, como os adultos. Mesmo quando eles a castigam, alguns minutos depois ela brinca, alegre, sem ressentimentos, sem pensamentos negativos. Por não estar ligada ao passado nem ao futuro, sua mente não raciocina nem tira conclusões.

À medida que uma criança cresce, ela passa a acreditar no que os adultos lhe dizem sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre ela mesma, porque é preciso que ela se torne um ser humano como você. Como a característica primária do pensamento adulto é o egoísmo, nossos pensamentos criam tribulações e geram sofrimentos. Por isso, à medida que crescemos, perdemos a simplicidade e a pureza, e passamos a criar nossos próprios sofrimentos.

O ensinamento de Cristo nos diz que um ser espiritualmente evoluído é igual a todo mundo, faz as mesmas coisas como todo mundo, e está sempre feliz! Portanto, não é a vida humana nem o outro, em suas imperfeições, que nos torna infelizes; mas a maneira como vivemos nossos relacionamentos, como vivemos nossa vida. Então, o que nos falta para sermos felizes? Como adultos, temos que resgatar a simplicidade e a pureza que tinhamos na infância; temos que resgatar o reino da felicidade, como ele o é no coração de uma criança. Então, precisamos reaprender a lidar com a vida da mesma maneira que uma criança lida.

Cada ser humano adulto é como uma lâmpada, que tem um poder de brilho, por exemplo, de 100 watts; mas, como a nossa lâmpada (o espírito) está coberta de pó (impurezas), isso reduz o seu brilho. Por isso, para sermos felizes, estando na condição humana, temos que nos purificar, nos limpar das nossas impurezas, que absorvemos desde a infância, com tudo o que é inerente a essa condição: o egoísmo, o racional, as verdades relativas, os apegos materiais e afetivos, as certezas, os conceitos, os valores, os desejos, os julgamentos. Só assim, conseguiremos resgatar o reino da felicidade que está em nós e, conservando a consciência de adultos, seremos felizes nesta vida!

Dra. Isis Dias Vieira

Psicoterapeuta Transpessoal e Escritora

(Artigo publicado na Revista Cultive Lettérature Art Solidarité, Suisse, maio/2019)

A Mãe do Ouro

Nos tempos da minha infância, numa pequena vila do interior do Estado do Espírito Santo/Br, quando a televisão era um luxo que só os ricos podiam ter e que internet, vídeo game, celular, smartfone ainda não existiam nos nossos rincões, meu pai sentava-se na calçada ao anoitecer e, com seu acordeon, dedilhava lindas e inesquecíveis melodias – um chamado aos vizinhos que, aos poucos, iam chegando.

Entre uma música e outra, eles contavam histórias engraçadas de suas experiências e de algum conhecido, todos afeitos ao labor da terra. Às vezes, inventavam casos nada engraçados, exagerando nos suspenses de histórias horripilantes sobre fantasmas, assombrações e almas penadas. As crianças, sentadas na grama, ouviam esses “causos” e histórias, com um misto de encantamento e medo. Muitos deles eram de arrepiar, pois falavam de casas mal assombradas, fantasmas, cemitérios e defuntos que se levantavam das sepulturas, para assombrar transeuntes desavisados. Sabiamente, ninguém questionava se essas histórias iriam traumatizar ou provocar algum dano psicológico nas crianças.

Quando os vizinhos iam embora, meu pai ficava olhando o céu e nos apontava a estrela d’Alva – planeta Vênus, Marte – o planeta vermelho, o Cruzeiro do Sul e a Via Láctea. Nesses momentos, sempre víamos “estrelas cadentes” riscando o céu de dourado e, de vez em quando, uma luz mais brilhante, que ele dizia ser a “Mãe do Ouro”, atravessava o céu e ia se esconder por detrás de uma pedra de mais ou menos mil metros de altura, próxima à vila. Ele nos dizia que, naquela pedra, estavam escondidos potes de ouro que ninguém podia tocar porque, por ordem divina, eles eram muito bem guardados e protegidos por ela – a “Mãe do Ouro”.

Como toda criança curiosa, depois de ouvir essas histórias, passei a vigiar o céu à noite, hábito que conservo até hoje, para ver a Mãe do Ouro. Às vezes, eu e minha irmã Isabel víamos uma outra luz brilhando intensamente, ora verde ora vermelha, que pairava acima daquela pedra e descia, como uma enorme fita de luz, parecendo um cilindro, até desaparecer, aos nossos olhos, por detrás da pedra; ou, como dizia meu pai: “a luz desaparece por dentro da pedra!” E ainda nos explicava que eram “discos voadores trazendo extraterrestres, que vinham conferir se o ouro estava bem guardado!” Um dia perguntei-lhe: por que ninguém sube a pedra para encontrar o ouro?! Sua resposta ainda ecoa vivamente em minha memória: “O ouro está guardado e bem protegido, porque são sementes de amor que, um dia serão espalhadas pela Terra, e o ser humano aprenderá a amar!” Então, em meu coração de criança, conclui que são os extraterrestres que vão nos ensinar a amar.

Durante toda a sua vida, meu pai manteve esse costume de olhar o céu à noite, enquanto fumava na varanda da nossa casa. Às vezes, isto acontecia de madrugada; pois ele tinha o hábito de se levantar às quatro horas. Lembro-me de uma madrugada do ano de 1965, quando ele nos acordou para ver o que disse ser um lindo cometa que atravessava o céu, com sua longa cauda luminosa. Esses fenômenos nos encantavam e aguçavam nossa imaginação, deixando-nos fascinados, na contemplação do céu estrelado, acima das nossas cabeças!

Hoje, sei que o que ele vira naquela madrugada não era um cometa. Aos nossos olhos, o movimento de um cometa é quase imperceptível. Além disto, li recentemente que os astronautas, James Mc Divitt e Edward White, da Missão Gemini IV, disseram ter visto, no período de 13 a 17 de junho de 1965, um OVNI com uma cauda parecida com a de um cometa.

O tempo passou e foram esses momentos de convívio afetivo saudável, essas maravilhosas lembranças que sempre estiveram presentes em minha mente e coração, que me protegeram do medo, quando anos mais tarde, voltei a ver discos voadores pousarem bem próximos na natureza ou zigue-zaguearem no céu. Por isso, nunca olho para o céu, simplesmente por olhar; pois sei que eles nos veem e, muitas vezes, em sonhos, falam conosco. Assim, conservo eu o respeito e o encantamento que sempre tive pela natureza e pelo céu, da “Mãe do Ouro”, que ainda encanta e estimula a minha imaginação.

(Extraído do livro “A Saga de um Sábio”, de Isis Dias Vieira, págs 146 a 148)

DEUS – O Dia que Nos Faz Ver!

Ao ensinar a Oração do Pai-Nosso aos discípulos, Jesus começa falando de um Pai nosso que está no céu. Mas, quem é esse Pai nosso a que Jesus se refere? Deus, Cristo, arcanjo ou outro ser pertencente à hierarquia divina?

Estando essa oração presente em nosso inconsciente coletivo, desde os primeiros séculos da nossa era, quando nos referimos ao Pai nosso que está no céu, pensamos imediatamente em Deus.

Ao longo de milhares de anos de utilização inadequada, a palavra Deus tornou-se vazia de significado. Quando a pronunciamos, criamos uma imagem mental de alguém ou de uma entidade exterior a nós. Tenho percebido, há alguns anos, que jovens e adolescentes, ao entrar em contato com a teoria evolucionista de Darwin, afirmam entre si, que não creem em Deus. Às vezes, pergunto: que Deus é esse que vocês não creem? Inicialmente, respondem que não creem porque ele não existe; mas, não sabem responder exatamente em que e porque não creem, embora deixem claro que se trata do deus das religiões.

São exatamente esses conceitos de um Deus guerreiro, vingativo, que pune os maus e dá a vitória aos bons, que abençoa com bens materiais, ao mesmo tempo em que diz que você deve abandonar tudo para segui-lo, que deram origem a crenças, a afirmações tais como o nosso Deus é o único Deus verdadeiro e à famosa frase do filósofo Nietzsche, “Deus está morto” – afirmações estas que confundem a mente dos nossos jovens.

Quando éramos crianças, criamos uma imagem de Deus como um velhinho de barba branca, parecido com um papai Noel, pendurado nas nuvens. Às vezes, principalmente nos momentos de desobediência aos nossos pais, o imaginávamos nos repreendendo com forte voz de trovão. Inevitavelmente, esse Deus, em quem não acreditamos, nem confiamos mais, correspondia a alguém ou alguma coisa do sexo masculino.

Segundo o Tao-Te-King, um dos livros mais antigos e profundos já escritos, o Tao ou o caminho é definido como o infinito, a energia eternamente presente, a Mãe do Universo. No final, todas as criaturas e todas as coisas voltam à fonte; ou seja, todas as coisas se desfazem no Tao; só ele permanece. Então, a fonte divina, criadora de todas as criaturas e de todas as coisas, é feminina – a Deusa ou Mãe Divina que tem dois aspectos: dá e tira a vida que temos; mas a vida que somos volta ou se reintegra a essa fonte, quando nossa caminhada aqui terminar.

Quando nosso mental racional se desenvolveu e o ego ou personalidade passou a governar a vida humana, os seres humanizados perderam contato com a realidade da essência divina, deixaram de viver Deus e começaram a pensar sobre Deus como uma entidade, uma figura masculina e exterior a nós. A partir daí, o mundo, a sociedade, inclusive as mulheres passaram a ser dominados pelos homens. E, mais uma vez, nisso não há bem, nem mal; pois se trata de uma etapa evolutiva para a humanidade neste planeta. De qualquer forma, é importante assinalar que o modo de funcionamento inferior da nossa mente é essencialmente masculino; pois, nesse nível, em geral a mente resiste, julga, briga pelo controle, usa, manipula, agride, tenta se apoderar e possuir.

Entretanto, simbolicamente, o masculino representa a construção, a ação no mundo físico e exterior que, definitivamente, está em evolução. Também, o masculino é o semeador; pois contém a semente que, sendo plantada em terra fértil, forma nas profundezas do feminino, a unidade que permite a descida de uma “unidade de consciência” ou espírito ao planeta Terra.

Por isso, o Deus tradicional, como sugere o Antigo Testamento, é patriarcal, autoridade controladora, geralmente furiosa, do qual devemos ter medo. Esse Deus é uma projeção pesada e rígida da mente humana, em seu modo de funcionamento racional e inferior, no sentido linear céu/terra, interior/exterior.

Mas, ao nos dirigirmos ao nosso Pai, devemos fazê-lo com a consciência do reino do sagrado, da infinita imensidão que nossa mente, em seu funcionamento inferior, racional, jamais é capaz de alcançar. As palavras são contaminadas com interpretações da nossa mente racional e não definem nem explicam o que é indefinível e inexplicável; apenas reduzem o invisível infinito a uma entidade finita. É impossível formar uma imagem mental a esse respeito. Quem tem uma experiência profunda de harmonia, de encontro consigo mesmo, reconhecendo-se espírito, tem um vislumbre dessa luz; mas não consegue comunicar essa experiência com palavras.

Para irmos além do poder da mente e nos religarmos à profunda realidade do ser espiritual que nos habita, necessitamos desenvolver qualidades muito diferentes das citadas acima, tais como: desapego, não julgamento, amor, generosidade, entrega, abertura à vida, não resistência, aceitação, sinceridade, clareza, flexibilidade, sensibilidade, capacidade de integração e inclusão – qualidades estas muito mais próximas do princípio feminino.

Segundo Jean-Yves Leloup, em “O Anjo como Mestre interior”, p. 89, a palavra Deus vem do Latim “dies”, que significa dia. Por isso, devemos procurar ver o dia, não apenas as coisas: “ver o dia no qual as coisas aparecem; ver o espaço no qual as coisas acontecem – essa luz que não podemos ver, mas que nos faz ver”.

Texto extraído do livro “A Oração do Pai-Nosso – O Mantra da nossa Libertação”, de Isis Dias Vieira, 2013, pp. 131 a 134. Editora Biblioteca 24 Horas.

Como ser Feliz, nesta vida!

Nos tempos da minha infância, quando chegava o Ano Novo, a saudação dos adultos era “Feliz Ano Novo! Novo ano... Nova vida!” E eu ficava esperando, ansiosamente, uma grande mudança, que não acontecia. Parecia que tudo permanecia como “era dantes no reino de Abrantes”! Com a maturidade, passei a sentir uma estranha sensação de aceleração do tempo e tudo passou a acontecer, a mudar rápido demais. À medida que o tempo passa, essa sensação aumenta e vem acompanhada de outra sensação de que as mudanças são para o pior, apesar de desejarmos, sempre, que sejam para o melhor!

Que estamos vivendo um período muito difícil é fato e, tudo indica que vai piorar! Tem-se a impressão de que a humanidade deste planeta se encontra numa descida vertiginosa ladeira abaixo. E a pergunta que não quer calar é: Como viver em paz, em harmonia, como ser feliz neste mundo tão conturbado?

Sobre o objetivo da vida humana neste planeta, os ensinamentos dos mestres convergem para uma só verdade: “Alcançar a pura e verdadeira felicidade!” Mas, como ser feliz, vivendo em um mundo de sofrimentos?

Existe um detalhe, sem o qual não se consegue viver em paz, em harmonia, ou seja, com felicidade. Esse detalhe é a raiz do sofrimento. Raiz é aquilo que alimenta e faz crescer.  Sofrimento é o estado de espírito que o ser humano vivencia, quando não está harmonizado e em paz – um estado onde não existe felicidade incondicional.

Na verdade, existe apenas um sofrimento. Ele pode se vestir de várias roupagens, mas ele é um só e se chama contrariedade. Diz a sabedoria que a contrariedade é a raiz de todo sofrimento, seja ele em forma de dor física, moral ou angústia e medo. Quando você sofre, você entra em um estado de contrariedade, que vai acabar com a sua harmonia, com a sua paz, com a sua felicidade. Portanto, não existe outra forma de sofrer, a não ser o fato de estar vivenciando uma contrariedade. Por isso, a contrariedade é a raiz do sofrimento.

Como libertar-se da contrariedade?

A contrariedade surge quando algo, que está na sua mente, é contrário ao que está acontecendo na vida. Tem muita gente que gostaria que as pessoas fossem diferentes, que o mundo fosse melhor; mas eles não são e isso gera contrariedade. O fato do que está na sua mente ser contrário ao que ocorre na sua vida, é que leva ao sofrimento. Então, aquele que quer ser feliz, só tem um caminho: libertar-se da contrariedade.

É possível ter uma casa própria, se meu salário não é suficiente? Pode-se permanecer ao lado da pessoa amada, se ela não quer? Pode-se ter aumento de salário, se o mundo está em crise? Posso impedir que alguém descuidado bata no meu carro? Será possível fazer as pessoas pensarem o que eu penso ou acharem o que eu acho? Enfim, dá para mudar o mundo? Não. Não dá para mudar o mundo! A regra é que não dá para mudar os acontecimentos da vida. Portanto, as suas contrariedades não podem ser mudadas, externamente, na sua vida.

Se a contrariedade não pode ser mudada e origina-se no choque da sua mente com a sua vida, o único lugar que você pode agir para não se contrariar é dentro de você. É o que a sua mente cria que deve ser combatido, para que a contrariedade não aconteça e você perca a paz, a harmonia, a felicidade. Portanto, já que não dá para alterar os acontecimentos da vida, a única coisa que você pode fazer, para ser feliz, é libertar-se do que está na sua mente, que lhe faz ficar em contrariedade com o mundo como ele está.

Então, ficar atento ao que lhe faz sofrer é muito importante, até para que você não acuse os outros de lhe fazer sofrer. Se há alguém culpado pelo seu sofrimento, são as suas ideias que estão contrárias ao que está acontecendo no mundo ao seu redor.  Para mudar as suas ideias, basta aceitar o mundo como ele está, em cada momento. Entretanto, cuidado para não usar o fato de que nada pode ser mudado como uma barreira para não fazer nada! Aceitar é conviver com a carência, com a situação, sem sofrimento, porque o mundo não vai mudar mesmo: “Eu queria ter um carro, mas não tenho.” Ponto final. Já a resignação é aceitar a carência, lamentando a falta: “Eu queria ter um carro, mas que droga, não posso comprar um!”

Quando você está em paz e em harmonia consigo mesmo, você está feliz com a vida e com as pessoas, você está com Deus!

Então, que o Ano de 2017 seja o início de um Novo Tempo para um Novo Ser Humano: Você cumprindo sua única missão, nesta vida: Ser Feliz!

Amor Amoros

AMOR & AMOROS

 O ano de 2017 já está às portas e nada nos garante que ele será melhor do que 2016. Entretanto, nesta vida, como espíritos humanizados, os problemas que enfrentamos no nosso dia-a-dia, não têm a menor importância porque, quando solucionamos um, aparecem outros. Assim é a vida neste mundo material. Se nos apegamos aos problemas, viveremos em função deles e jamais seremos felizes. Como eles vêm e se vão sempre, não vale a pena viver em função deles; pois, o que importa mesmo é o Amor. Com amor, podemos viver em paz e harmonia, independentemente dos problemas. Estamos aqui, neste planeta, para aprender a amar. Todos os mestres que esta humanidade conhece trouxeram ensinamentos a respeito dessa aprendizagem. Dentre eles, Cristo nos deixou o mais belo e singelo ensinamento: “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Neste Natal, curta os amigos, a família e experimente viver esse amor, sem julgamento, sem se colocar a favor ou contra pessoas ou fatos, sem “achismos”, sem ter “aquela velha opinião formada sobre tudo” e sem estabelecer condições para amar universalmente.

Dizem que existem várias formas e níveis diferentes de amor: amor fraterno, amor paixão, amor afeto, amor amizade, amor de mãe, amor de pai... Na verdade, o que chamamos de amor são sentimentos humanos, que nos aproximam uns dos outros, afetivamente ou sexualmente. Mas, o verdadeiro Amor mesmo é o que define Deus. “Deus é Amor!”

Por isso, ninguém nasce para ser amado. Todos, nascemos neste mundo para aprender a amar! O problema é que, primeiro queremos ser amados para, depois, amar os outros, conforme o merecimento deles; pois, achamos que nem todos merecem ser amados. Só aqueles que nos agradam, que estão de acordo conosco. Portanto, o amor humano é hipócrita; pois, ele é fundamentado no eu. O “eu amo” é um amor egoísta.

Amar é um verbo intransitivo; não se conjuga. O amor é universal, é equânime. Isto significa ter o mesmo amor por tudo e todos, sem dividir, sem jamais ser dirigido a alguém ou a um objeto; pois, o custo de amar alguém, é não amar outro alguém.

Entretanto, se você não amou hoje, não tem problema; continue tentando amar. Certamente, a consciência de não ter amado e a predisposição de tentar amar, vão lhe trazer novas oportunidades.

“A boca fala do que o coração está cheio. Se seu coração é mal, da sua boca só sairão coisas más” (Cristo). Conforme esse ensinamento, o mal não é ferir, magoar, maltratar alguém; é não amar o próximo como a si mesmo e não amar a Deus sobre todas as coisas.

Então, se seu coração não ama, não importa o que você diga, as suas palavras não serão amorosas. Você pode estar elogiando a pessoa; mas, se em seu coração não tem amor, suas palavras não são amorosas. Em vez de pensar no que vai falar para os outros, fique atento ao seu coração; pois, o que sair dele, vai dizer quem você é. Qualquer pessoa, fria ou caridosa, se não tiver coração puro, o que fizer não terá pureza alguma; pois “sem amor, nada existe!”

Na verdade, você ama o tempo todo. Você pode amar de uma forma universal, que é “amar a Deus acima de todas as coisas”; ou, de uma forma egoísta, individualista. Esse tipo de amor está no ego, não no coração. É o amor que têm as pessoas abandonam, que roubam e vendem crianças, agridem, batem, humilham, enganam, estupram mulheres, que assaltam os cofres públicos, que roubam o povo... Eles amam como se ama um objeto que lhes pertence. O amor egoísta não está na pessoa; está somente, quando ela se esquece do espírito que a habita e se confunde com o próprio ego. Nesse momento, ela está vivendo de uma maneira individualista. Então, ninguém escolhe amar de maneira egoísta; escolhe aceitar o amor individual, proposto pelo seu ego. Esse é o livre arbítrio entre o bem e o mal.

A síntese dos ensinamentos de Cristo, que chegou até nós, através de Jesus, é

-        “Amar a Deus, acima de todas as coisas.”
-        “Amar ao próximo, como a si mesmo.”

A primeira parte é a mais difícil, porque o ser humano

-        Não se ama,
-        Pensa que ama o próximo
-        E se acha mais que Deus.

Para compreender e colocar em prática esse ensinamento simples, precisamos utilizar a “lei da inversão”[1]: primeiro, tenho que aprender a me amar; porque, se eu não me amo, não serei capaz de amar o próximo e, menos ainda, a Deus. Aí, nos deparamos com o nosso maior problema: confundimos amar a si mesmo, com egoísmo; pois, buscamos a perfeição. Mas, a perfeição é do espírito; não é do humano. Por isso, temos que aceitar as nossas imperfeições, sejam elas quais forem. Se você é rico, pobre, preguiçoso, corrupto, mentiroso, fofoqueiro, traficante, matador profissional aceite-se assim, tal qual é humanamente; porque o que é humano em nós (corpo, mente, ego, personalidade) vai morrer. Ninguém escapa disto! Só o espírito é eterno. Se você busca a perfeição para se amar, o máximo que vai conseguir é transformar-se em um grande egoísta. Se você se percebe como egoísta aceite-se, também, como egoísta e ame-se, mesmo assim! Aí, será capaz de amar os outros e a Deus.

Portanto, não importa qual é a sua religião, com qual ensinamento você entra em contato – eles têm que levar você sempre nessa direção: “Amar a Deus, acima de todas as coisas”. Tudo o mais é consequência.


 

[1] Leia mais sobre a Lei da Inversão e sobre os ensinamentos de Cristo, no livro: “A Oração do Pai-Nosso - O Mantra da nossa Libertação”, em www.amoros.com.br

O Trabalho como Ato Criador

O trabalho como castigo divino, por causa do nosso “pecado original”, está impresso no inconsciente coletivo. Entretanto, Jesus deixou bem claro que não é bem assim, ao dizer: “Meu Pai trabalha até agora e eu também!” Com certeza, ele não estava se referindo a José, seu pai humano. O Criador deu essa função ao ser humano, como uma maneira de ação no mundo físico. O fazer do ser humano no mundo deve perpetuar a memória da dinâmica da criação. Entretanto, como tudo na vida de aprendizagem neste planeta, a experiência da dualidade implica a vivência das polaridades. Por isso, há duas maneiras de trabalhar, que correspondem a dois níveis de consciência do que é verdadeiramente o trabalho:

  1. Do ponto de vista da personalidade – Muitos ainda estão nesse nível de consciência, por estarem desconectados de sua alma ou eu superior. Trabalham para si, pela sobrevivência, por necessidade e para comprar segurança (aposentadoria, saúde, férias e outros benefícios). Por isso, muitas vezes, resistem ao trabalho e tentam fazê-lo em menos tempo possível, justo o número de horas pelas quais são pagos e nada mais. Essa atitude bloqueia o processo de criação e tudo vai mal: cansam-se rapidamente, não conseguem produzir o que querem ou desejam, não suportam as pessoas (colegas de trabalho), as circunstâncias não lhes são favoráveis, reclamam do mundo e da vida, consideram tudo muito difícil e afundam num profundo estresse que, geralmente leva à depressão. Isto, sem falar naqueles que transformam o trabalho numa competição onde, muitas vezes, vale tudo.
  1. Do ponto de vista do eu superior – toda ação, todo trabalho é uma oportunidade de criar, de servir, de se alegrar e de se manifestar, qualquer que seja a forma, qualquer que seja o tipo de trabalho. O eu superior ama o trabalho porque ele ama criar – é seu objetivo principal. A partir do momento em que mudamos nossa consciência e estamos plenamente presentes no mundo, o trabalho se torna, naturalmente, apaixonante e muito interessante. Neste caso, fazer o que gosta e gostar do que faz, tem todo sentido.

Pode-se dizer que as condições econômicas são difíceis e alguns são obrigados a ter um trabalho pouco interessante para “ganhar a vida”. Essa atitude, ancorada na consciência coletiva, vem do modo de funcionamento do ego. É uma maneira de “perder a vida, ganhando-a”. Dessa forma, mantém-se um círculo vicioso, pois as condições econômicas difíceis são o resultado do nível da consciência coletiva. Quando a maioria dos seres humanos viver num estado de consciência superior, as condições econômicas serão automaticamente muito mais favoráveis, pois não é o “acaso” que cria a “economia”, mas os seres humanos.

Desde que o eu superior se manifesta, a vontade de servir, de contribuir, de fazer alguma coisa neste mundo, emerge naturalmente. O serviço é a característica dominante do eu superior, como o desejo é a característica dominante da natureza do ego. O serviço leva em conta o bem de um grupo, de muitos, de todos; o desejo é em benefício da personalidade. Sob a direção do eu superior, o desejo de satisfação do ego, sob todas as suas formas, se transforma em desejo natural de servir, de atender ao bem de todos, através do trabalho.

Reconhece-se o grau de evolução espiritual de uma pessoa, não pelas suas palavras ou seus poderes, mas pela qualidade do trabalho que presta ao mundo, mesmo que seja em um círculo restrito. Através do eu superior, trabalhamos pelo prazer de realizar algo em benefício dos outros. Se o que fazemos é reconhecido ou não, não tem a menor importância. O fato de trabalhar traz em si a alegria e a recompensa. Trabalhar nesse estado de consciência é revigorante e inspirador; e nos torna profundamente satisfeitos internamente, qualquer que seja o resultado obtido externamente. Manter todas as nossas atividades nesse estado de consciência, é viver num estado de amor e de alegria; enfim, num estado de graça. O amor, conhecido como incondicional, não é nem sentimento, nem emoção. É a força superior que guia os mundos e que conduz à integração, à unidade e à inclusão; é a força que impulsiona a divindade que nos habita à ação.

Quando experimentamos a vivência sublime da unidade cósmica e integramos esse nível de consciência, ou seja, quando desenvolvemos o amor incondicional e o integramos em nossa personalidade, naturalmente aceitamos esse compromisso: o do trabalho, também como ato criador, no aqui e agora, do “como no céu, assim também na terra”, onde o Nome do Pai é Santificado, o Reino do Pai vem, e a Vontade do Pai é feita, exatamente como é no céu, como é em todos os Universos.

 Texto extraído do livro “A Oração do Pai-Nosso – o Mantra da nossa Libertação”, de Isis Dias Vieira, 2013, pp. 151 a 153

O Espírito do Natal

Uma frase da Oração do Pai-Nosso, na versão do aramaico para o português, que mais me chama a atenção, aparece na segunda linha do segundo verso: “... e deixa-nos serenos, como nós favorecemos a serenidade dos outros.”

Natal é sempre lembrado e comemorado, como um momento de festa, de confraternização, de troca de presentes, encontro com amigos, mas principalmente, de encontro de família e mesa farta.

Durante os festejos de Natal e Ano Novo, comemos, bebemos e nos alegramos. Mas, a partir do dia seguinte, voltamos a nos comportar como antes, sem nenhuma consciência do que significa o nascimento de Cristo neste planeta, que nem foi no dia 25 de dezembro, sua missão e seus ensinamentos.

E portanto, a síntese de todos os ensinamentos de Jesus está na Oração do Pai-Nosso, que contém apenas dois momentos em que suplicamos ao Pai algo para nós; um deles está no verso citado acima. Detendo-me só nesse primeiro momento, completamos nossa súplica, com uma promessa ao Pai: ”... como nós favorecemos a serenidade dos outros”, ou seja, prometemos favorecer a serenidade dos outros. E ainda vamos mais além: pedimos serenidade para nós, na mesma medida que favorecemos a serenidade dos outros. Parece uma armadilha, não é? Mas, Jesus sabia o que estava ensinando!

Pela lei de causa e efeito, sempre recebemos de volta o que fazemos aos outros. Então, a serenidade não é uma dádiva; é uma conquista da nossa consciência. Por isso, ao pedir serenidade ao Pai, eu me comprometo a favorecer a serenidade dos outros. Assim, se eu quero ter serenidade, tenho que favorecer a serenidade dos outros. E isto não é o que fazemos nos nossos relacionamentos, no dia-a-dia. Tem gente que, às vezes, faz ou fala exatamente o que o outro não gosta, só para irritar. Essas pessoas, de uma maneira geral, se comportam como verdadeiras “bruxas da vassoura”, sempre à espreita, para ver o “circo pegar fogo”!

Quando alguém lhe faz uma ameaça, diz que você falou ou fez algo, que não falou nem fez, lhe manda emails ou mensagens com críticas, ameaças, julgamentos, alfinetadas, fofocas, piadas de mau gosto, lhe falta com o devido respeito, lhe trata com grosserias, manipula, controla, chantageia... Como você se sente? Dá para ficar sereno nessas situações? Agora, olhe para si mesmo e procure lembrar se tem alguns desses hábitos, que não favorecem em nada a serenidade dos outros e, decida-se: Quer ter serenidade? Então, favoreça a serenidade dos outros! Não há nenhuma mágica nisto, é responsabilidade mesmo!

Então, transcendendo a ideia de que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro e o chamado ao consumismo que caracteriza as datas festivas, neste Natal encontremo-nos, participemos de confraternizações, troquemos presentes, alegremo-nos! Mas, acima de tudo, favoreçamos a serenidade dos outros; pois, em períodos de grandes perturbações sociais, ter serenidade é fundamental, para não nos perdermos no pessimismo e no desespero!

(Leia mais sobre isto, no livro “A Oração do Pai-Nosso
– O mantra da nossa libertação”, págs. 145 a 160)

Das Trevas à Luz – Separando “o joio do trigo”

Em consonância com as Profecias Maias, importantes astrólogos dizem que, em 21 de dezembro de 2012, entramos na chamada “Era de Aquários”, que marca o fim da “Era de Peixes”; cada Era durando 2.160 anos.

A Era de Peixes,que começou no ano 148 a. C. e terminou em 2012 d. C. (2.160 anos), é também conhecida como “Idade das Trevas”. Durante esse período, o indivíduo teve que evoluir e se desenvolver como ser humano, em termos físicos (materiais), mentais e emocionais. Isto fez com que ele se desconectasse de sua essência divina, de sua consciência superior, se apegando à vida material e ao mental racional, o que trouxe consequências tais como: conflitos pelo poder, através de guerras e destruições; turbulências emocionais, pensamentos negativos, sentimentos de medo, orgulho e raiva; acúmulo de vícios e apegos; poluição e destruição da natureza; comércio da educação e da saúde, com produção de medicamentos extremamente danosos ao nosso corpo e à nossa mente – tudo que provoca bloqueio em nosso corpo, causando-lhe  doenças graves de todo tipo.

A Era de Aquários,que começou em 21 de dezembro de 2012, é também chamada de “Era da Luz”, por representar um período de abertura e expansão da consciência, ou seja, um novo “campo de percepção”, para uma compreensão mais ampla e completa do Universo, muito além do mundo da forma, do conhecimento intelectual e dos conceitos estabelecidos. Essa transcendência conduz, também, à sabedoria, a compreensões mais amplas e mais completas de nós mesmos e do mundo ao nosso redor, ao desenvolvimento de capacidades superiores, que correspondem ao modo de funcionamento superior da nossa mente, cujos parâmetros possibilitam a Consciência (luz), a Verdade, a Integridade e o Amor mútuo e incondicional pela Vida.

Por isto, estamos vivendo um momento ímpar na história da humanidade deste planeta, no qual tudo o que está por terminar, por morrer, se manifesta de maneira exacerbada. E, neste caso, no que se refere ao ser humano, a luz (consciência) e as trevas (inconsciência) caminham lado a lado. Conscientes disto, cabe-nos vigiar nosso Agora, para não dar lugar às trevas em nossa vida, ao longo das nossas horas diurnas.  Assim, as nossas horas noturnas serão dedicadas a um sono reparador, capaz de proporcionar as informações que nossas células necessitam para funcionar de maneira saudável; e nossa mente receba a luz do conhecimento e da sabedoria, para curar-nos dos males deste mundo inconsciente e permaneça também saudável.

Conscientes deste período de “trevas e luz”, de inconsciência e consciência, de bem e mal, de negativo e positivo, podemos compreender melhor os significados da tão apregoada parábola “do joio e do trigo”. Segundo o Novo Dicionário Aurélio, da língua portuguesa, joio é 1) “Erva anual, da família das gramínias, que cresce caracteristicamente nas plantações de trigo, cespitosas, de folhas lineares e ásperas, flores mínimas associadas em espiguetas que formam espigas, a qual tem um princípio tóxico e chega a atingir 80 centímetros de altura... 2) Coisa daninha, ruim, que surge entre as boas coisas e as corrompe.” (Para melhor compreensão e lembrando que Jesus não estava se referindo literalmente ao “fim do mundo”, mas ao fim de uma Era, leia com atenção o texto de Mateus capítulo 13, versos 24 a 30 e 36 a 43).

Escolhemos estar aqui, nesse difícil período de transição, para aproveitarmos essa excepcional oportunidade de evolução, que reverberará por todo o Universo. Para tanto, temos que nos manter conscientes de nós mesmos no “aqui e agora” e, tanto quanto possível, nos afastar do que é danoso, negativo, tóxico e corrompido, mesmo que se trate de pessoas.

Assim, nossa experiência cósmica, neste pequeno e lindo planeta, será uma bela e maravilhosa experiência evolutiva, preparando-nos para “outras moradas” cósmicas.

Para tanto, cabe a nós descobrir como isto é possível, expandindo nossa consciência para além do mundo da forma e dos nossos conceitos e preconceitos.

Experimente deitar-se de costas na relva macia, à noite e, entregando-se totalmente à contemplação da beleza de um céu estrelado, abra-se à percepção do quanto a Terra é um ínfimo pontinho da Galáxia, onde é possível pressentir a infinitude do Universo.

Nessa contemplação, você pode, também, pressentir que o nosso querido e indispensável Sol, apesar de único, é um entre bilhões de outras estrelas de todo o Cosmos. Portanto, sejamos humildes: Nós não somos o centro de coisa alguma, menos ainda do Universo! Em relação ao outro, não somos nem melhores nem piores na nossa imperfeição. Estamos aqui de passagem e em aprendizagem.

 Brasília, dezembro de 2014

                                           Isis Dias Vieira

O Poder de Cura da Nossa Mente

Mente e corpo não são distintos nem independentes um do outro; são uma só e mesma entidade, percebida de duas maneiras diferentes.

O filósofo francês, René Descartes, se enganou ao dissociar mente e corpo. E muitos profissionais, da nossa medicina ocidental, seguem seus conceitos, ao atribuir os estados mentais dos pacientes à sua condição física. Com isto, além de dissociar mente e corpo, os inverteu, atribuindo mais poder ao corpo. Como nossa mente está acostumada a funcionar no automático, ou seja, no seu modo inferior ou racional, o maior problema da humanidade, neste século, é a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Tudo é pensado, raciocinado, interpretado, analisado, julgado e concluído, conforme estímulos exteriores. Os portadores dessa síndrome, além de sofrerem de insônia, revelam grande dificuldade em estabelecer contato com seu mundo interior, com a dimensão espiritual de sua consciência, que só é alcançada através do modo de funcionamento superior da nossa mente. (Leia mais sobre esses dois modos de funcionamento da nossa mente, no livro “A Oração do Pai-nosso – O Mantra da nossa libertação”, Ed. Biblioteca24horas, cap. I)

Estudos de casos, sobre essa integração entre a mente e a saúde física, comprovam que pessoas que sofrem emocionalmente de maneira crônica, por serem ansiosas, deprimidas, inseguras, pessimistas, irritáveis, correm mais risco de terem um problema maior de saúde. Por causa do modo inferior ou racional de funcionamento de suas mentes, elas se convencem de que não estão bem, atribuindo seu mal estar a causas exteriores. Importantes pesquisas mostram que, enquanto o tabagismo aumenta o risco de doença grave em 60%, o sofrimento emocional crônico o aumenta em 100%. Os resultados desses estudos comprovam a poderosa ligação que existe entre a mente e o corpo.

Quando estamos cronicamente estressados, com os hormônios do estresse permanentemente em alta, a capacidade do sistema imunológico combater as doenças diminui, justo no momento em que o coração tem que aumentar a pressão sanguínea, trabalhar de maneira mais intensa e preparar o corpo para a urgência. O resultado final é que a pessoa se torna muito mais vulnerável às doenças.

A medicina tibetana tradicional, uma ciência antiga, que jamais perdeu de vista a estreita ligação entre mente e corpo, nos ensina que quando nossa mente está em paz, o corpo se mantém em boa saúde. Portanto, em todo e qualquer processo de cura, o mais importante é acalmar a mente, conduzindo o foco do pensamento para o processo de cura, enquanto o indivíduo se submete ao tratamento médico. Mas, infelizmente, é exatamente aí que o modo de funcionamento inferior da nossa mente fica mais exacerbado.

Nesse momento da história da humanidade, em que o ser humano não consegue mais controlar seu racional, o essencial para o ser humano é desenvolver conscientemente o  modo de funcionamento superior da sua mente. O modo racional, que impulsionou a ciência e a tecnologia, que ajudou o ser humano a conhecer e a dominar o mundo exterior e a natureza, já cumpriu a sua função. Quando nossa mente, em sua verdadeira natureza, não sofre as pressões das circunstâncias exteriores e das nossas emoções, ela se torna mais calma, mais aberta e mais ampla; e nós, mais inteligentes e mais sábios.

O ego é o resultado de uma percepção errônea de que há uma entidade física e permanente em nós, bem como nos outros. Esse eu é um conceito fabricado pela mente racional, mas necessário, junto com o corpo físico, à formação da nossa identidade humana. A nossa mente, em sua verdadeira natureza, que é o seu modo de funcionamento superior, não participa desse conceito; mas o integra, para funcionar em sua totalidade. O apego ao ego é a fonte de todos os nossos problemas mentais e emocionais, a principal causa do nosso sofrimento físico, mental e emocional.

Nesses tempos sombrios, de negativismo, insegurança, medo e raiva, em que os seres humanos não respeitam mais nenhum limite para a sua desonestidade, e a natureza está devolvendo o que ele fez com ela, devemos manter nossa mente em paz, protegendo-a das dificuldades da vida e evitando, ao máximo, deixá-la no modo automático. Portanto, libertar-se do apego ao ego (ao nosso e ao dos outros), é fundamental; pois, isto permite que o poder de cura da mente, em sua verdadeira natureza, flua e se manifeste em todos os níveis físico, mental, emocional e espiritual.

Os problemas físicos são os mais difíceis de curar, porque estamos acostumados a pensar nosso corpo de maneira racional. Por isso, é muito importante aprender a usar recursos eficazes, tais como técnicas de autoconhecimento e de expansão de consciência como, por exemplo, respiratórias e de relaxamento, que nos ajudam a alcançar a paz, a serenidade e a força da energia, da qual somos feitos – a energia do nosso Eu Superior que, segundo a Teoria do Desdobramento, é nossa maior fonte de saúde e bem-estar. (Leia mais sobre isto no livro “A Oração do Pai-Nosso – O mantra da nossa libertação”, página 47, Ed. Biblioteca24horas)

A paz e a alegria, alcançadas através do poder de cura da nossa mente, nos ajudarão a aceitar com mais facilidade os problemas, como inerentes à nossa condição humana. Reconhecer um problema e aceitá-lo não quer dizer viver em função dele, ou seja, manter o foco da consciência nele, analisando-o, explicando-o e interpretando suas possíveis causas. Significa simplesmente mudar o foco para a cura, ou para as possíveis soluções, sem se apegar à doença ou ao problema. Muitas vezes, até mesmo a nossa linguagem denuncia o quanto estamos apegados; pois falamos da doença ou do problema como “a minha doença”, “o meu problema”, “sou doente” e, às vezes, sentimos até mesmo um certo prazer mórbido em falar da “nossa doença”, tal é nosso apego e nossa identificação. É como se o eu e a doença fossem uma só e mesma entidade.

Quando percebemos nossos progressos, quaisquer que sejam e por menores que sejam, o mais importante é se alegrar por tê-los alcançado; pois assim, eles ganham mais força. Devemos apreciar sempre as nossas pequenas conquistas e nos alegrar com o que somos capazes de fazer. Nunca ficarmos contrariados pelo que não pudemos realizar.  Assim, cada aspecto da nossa vida  – pensamentos, sentimentos,atividades ou experiências cotidianas – pode se tornar um meio de cura.

Quanto maior é nosso apego ao ego, mais nosso sofrimento físico, mental e espiritual cresce. Por causa dos nossos apegos, nossa ignorância, nossos desejos e ódios, vagamos sem rumo e sem objetivo neste mundo, inconscientes do poder interior que pode nos libertar do sofrimento.

Nós ocidentais aceitamos facilmente os diagnósticos médicos, sem questionamento, sem reflexão. Além do diagnóstico médico, devemos fazer o nosso diagnostico da doença que invade nosso corpo, nos livrarmos das suas causas e tomar o remédio que nos trará de volta a saúde.


Fontes do Poder de Cura

Observação: Para que você tire o máximo de proveito dessa leitura, priorize o que se segue.

  1. Continue sua leitura, escolha sua fonte de poder e passe vários dias pensando nela, estabelecendo uma conexão com sua energia de cura. A fonte que você escolher pode ser mudada, em outro momento, em função de suas necessidades e de sua evolução espiritual.
  2. Enquanto convive com sua fonte de poder, faça uma lista de suas atitudes e de seus sentimentos, que lhe causam problemas.
  3. Faça o exercício que consta no final do texto, pelo menos uma vez e sintonize com a fonte de poder que você escolheu.

Podemos utilizar sempre a nossa imaginação para conectar uma fonte de poder, visualizando os diferentes elementos: a terra, a água, o fogo, o ar (o vento), o espaço infinito, ou a luz, como meios para alcançar as bênçãos da energia de cura para o nosso corpo, nossa mente e nossa alma (cura espiritual).

Dentre todas as forças elementares, devido à sua importância para a vida e o desenvolvimento das plantas, dos animais e do próprio ser humano, a luz do sol é celebrada, espiritualmente, em todas as tradições da humanidade, como o meio mais importante de cura, por ser considerada a essência da energia pura que se manifesta. Por isto, a luz está sempre presente em festas e rituais, através do “fogo sagrado” (fogueiras e tochas), do culto ao sol e, até mesmo nos tempos atuais, através de velas e lâmpadas decorativas, nas nossas desvirtuadas Festas de Natal e Ano Novo – resquícios de celebrações à natureza, praticadas pelos nossos ancestrais.

Em várias religiões, a luz é associada a divindades como, por exemplo, Buda – o Iluminado, e Jesus que, nos Evangelhos, se declara como  “o Cristo, a luz do mundo.”

A luz pode ser percebida em dois níveis de consciência: o relativo e o absoluto. Seu aspecto relativo é perceptível na natureza. Entretanto, muito além da luz relativa que nossos olhos físicos veem, há a Luz Absoluta da unidade de tudo, da natureza aberta ou transcendente. Por exemplo, os relatos de pessoas que tiveram uma experiência de morte eminente (EQM), durante a qual se fusionaram com uma “Luz Radiante”, tornando-se a própria Luz, sem ter nenhum sentimento de eu, distinto ou separado da paz e da alegria que emanam dessa extraordinária Luz. Ninguém consegue descrever a Luz Absoluta, porque ela transcende os limites do espaço, do tempo e dos nossos conceitos. Tudo o que existe é expressão da Luz Absoluta, inclusive NÓS.

Então, o que interessa mesmo é essa Luz da qual somos feitos – a Luz Absoluta, que é nossa fonte de cura, de alegria e de serenidade.

A Luz Absoluta não está somente em nós; ela está também em tudo ao nosso redor e em todos os universos manifestos. Em seu aspecto relativo, ela é visível de maneira sutil no ar que respiramos, no ar que nos envolve e em tudo ao nosso redor na vida cotidiana; mas ela é visível e percebida, também, em todas as formas físicas deste planeta e em todos os outros de todos os universos.

Todas as nossas ações e todos os nossos pensamentos podem e devem estar em comunhão com essa Luz Absoluta. Só assim, ela poderá se manifestar no mundo da forma, ou seja, de forma relativa e perfeita em nós, em nossa vida e no mundo ao nosso redor.

Portanto, a energia de cura está sempre presente em cada um de nós e isto não deve nos impedir de aceitar a ajuda da medicina humana e, principalmente, daqueles que nos amam e estão abertos para nos ajudar. Espera-se que os médicos, que nos assistem em um processo de cura, tenham uma atitude harmoniosa e a mente aberta. Pelo sim pelo não, a confiança neles, como a luz que eles representam, deve ser também relativa; ou seja, conscientes da presença dessa Luz Absoluta neles também, anonimamente devemos pedir ajuda superior, em forma de “mãos de luz”, para guiá-los em seus fazeres médicos, potencializando os efeitos da cura.

A seguir, algumas das mais importantes Fontes de Poder que podem nos ajudar a transformar o sofrimento em ensinamentos:

  1. Uma divindade
  2. Seres espirituais (anjos)
  3. Um ser de luz
  4. O sol, a lua, o arco-íris, a água, o espaço infinito, a luz, o som, o cheiro da natureza – toda forma de energia pura, ou seja, que não foi manipulada pelo ser humano, tem o poder de nos inspirar e de nos curar; ou seja,
  • A força da terra, para nos estabilizar e nos fortalecer;
  • A luz e o calor do sol, para nos dar ânimo, entusiasmo e dinamismo;
  • O poder refrescante e purificador da água, para acalmar as nossas emoções;
  • As chamas do fogo, para aquecer, transformar, purificar e iluminar nosso corpo e mente;
  • O ar que respiramos ou o vento que sopra, para limpar e purificar nossos pulmões e mente;
  • O espaço infinito, muito além do horizonte, para expandir nossa limitada consciência humana.

Por ser a representação de todas as dimensões de manifestação da luz pura, o arco-iris é o símbolo da nossa  máxima realização espiritual.

Em geral, as representações de seres espirituais, ou seja, seres que se manifestaram no nosso tempo e na forma física neste planeta, como o Buda, Jesus, Maria, Krishna, Gaia (a deusa mãe natureza) são fontes de poder mais eficazes para a nossa mente humana, porque expressam e encarnam a paz e a alegria últimas da verdade universal. Essas imagens, na verdade, são representações de nossa sabedoria interior, com a qual entramos em contato.

Entretanto, a melhor fonte de poder é aquela que faz você se sentir melhor; aquela que suscita em você um sentimento de bem-estar, de paz e de serenidade.

Quando cultivamos uma fonte de poder, nos desembaraçamos de atitudes e de sentimentos estreitos e rígidos que nos causam problemas. Quando isso acontece, nossa mente se torna positiva e aberta à cura.


Exercício:

Coloque uma música suave, de preferência com sons da natureza, feche os olhos, fixe o pensamento na música e se deixe guiar por ela.

  1. Depois de uns três minutos, faça respirações amplas e profundas da seguinte maneira: inspire suavemente e bem devagar, enchendo plenamente os pulmões de ar; expire lentamente, esvaziando os pulmões completamente e relaxe a cada expiração.
  2. Continue respirando ampla e profundamente durante alguns minutos.
  3. Em seguida, deixe sua respiração voltar ao seu ritmo natural, enquanto seu pensamento continua seguindo a música.
  4.  Visualize no céu uma bola de luz pura, brilhante e transparente. Imagine-a como a pura essência do “Universo de todos os universos” – a representação da energia da qual somos feitos, a energia que tem o poder de nos curar.
  5. Dessa bola de luz pura desce um raio que envolve você, da cabeça aos pés. Sinta o poder dessa luz em seu coração, em sua mente e em seu corpo.

Brasília, dezembro de 2014

Isis Dias Vieira

Instituto de Psicologia Transpessoal